Translate

3 de fevereiro de 2014

Preconceito, orgulho e cada vez mais alto

Preconceito

Como se explica que em Portugal desde 2013 não haja a liberdade nem o direito de escolher e frequentar o ensino diferenciado e público no Instituto de Odivelas (IO)? Será preciso emigrar para a Inglaterra, para a Alemanha, para os EUA, para os antípodas se em solo pátrio é negada a livre escolha e a igualdade de oportunidades? A "livre Inglaterra" tem uma cruzada para acabar com o ensino diferenciado por género público e privado com tradições? Não, tem mais que fazer!

Como se explicam as críticas de atraso ou retrocesso civilizacional quando estudos científicos e práticas pedagógicas em países justamente civilizados valorizam o ensino diferenciado por género e público?

Como se explica o encerramento e a extinção do IO se o sucesso educativo desta escola com 114 anos é uma evidência? O percurso escolar das alunas do IO resulta mais económico do que o de muitos alunos da rede pública de escolas, bem mais dispendioso, seguindo apenas uma perspetiva economicista e redutora.

Como se explica o bom desempenho académico e profissional de meninas e mulheres ao longo de 114 anos? No início do século XX, o IO tinha por finalidade habilitar as alunas "… a poderem angariar honestamente os precisos meios de subsistência…", sem precisar de pais, irmãos ou maridos. Muito à frente, como agora se diz.

Uma mãe que estudou no ensino diferenciado e não diferenciado, que não é castigadora nem castradora e que tem uma filha que lhe pede para ser aluna interna - leia-se dormir 3 noites no IO - é brâmane? Não é.

Uma mãe que está impedida de matricular a filha mais nova no 5.º ano no IO, porque a lei o impede, é livre, realmente livre? E esta filha mais nova que gostaria de frequentar, e muito, a escola da irmã, é livre? Não haverá aqui uma discriminação de género? Há.

Orgulho

Quanto poupou o Erário Público, enfim Portugal e todos nós, com a conservação pelo IO do edifício gótico na sua origem, um mosteiro que remonta a 1295, que é monumento nacional desde 1910?

Como se pode fazer História destruindo a História de uma escola e, sobretudo, de alunas e mulheres, de etnias, credos e condições socioeconómicas diversas e que há 114 anos se destacam nas mais variadas profissões, pioneiras, lutadoras e vencedoras, meninas de Odivelas, mulheres anónimas ou conhecidas que quiseram ir cada vez mais alto?

Maria Rodrigues

1 de fevereiro de 2014

IO Memória - grupo coral e outras actividades

Porque  a História nunca se apaga e são as memórias que lhe dão fulgor...


Grupo coral do Instituto de Odivelas com o Maestro Ivo Cruz filho, nos anos 50.



Alunas do Instituto de Odivelas (IO) a assistem a Provas de Natação junto à Piscina no IO, com os característicos chapéus de palha, nos anos 40.



28 de janeiro de 2014

Cordão humano no IO

Pela continuidade do IO, SEMPRE!



O Instituto de Odivelas - uma escola única em Portugal e no Mundo

Odivelas era ainda uma aldeia nos arredores de Lisboa, com quintas e hortas, quando viu nascer o Instituto de Odivelas (IO), em 1900. Desde então, o estabelecimento militar de ensino com 114 anos e Odivelas partilham uma história comum que marca, de forma indelével, a identidade da vila, depois cidade e, entretanto, sede de concelho.
O IO ocupou o Mosteiro de Odivelas, fundado em 1295 pelo rei D. Dinis e doado às freiras bernardas da Ordem de Cister. Assolado pelo Terramoto de 1755, pelas Invasões Francesas e pelo Decreto da Extinção das Ordens Religiosas em 1834, o monumento foi posteriormente cuidado e conservado pelo Instituto de Odivelas, estimado por gerações e gerações de alunas que brincaram nos seus claustros, passaram pelas velhas lajes, sob arcos e ogivas, por entre azulejos azuis, amarelos e brancos. O Mosteiro de Odivelas é, igualmente, um património aberto à comunidade que frui a beleza e a religiosidade do monumento.
Foi por iniciativa da rainha D. Maria Pia e de seu filho, o Infante D. Afonso, irmão do rei D. Carlos que o IO foi fundado a 14 de janeiro de 1900 com a finalidade de “… dar às alunas (…) uma instrução geral e, alem disso, a instrução profissional que possa, de futuro, criar-lhes os precisos meios de subsistência”, de acordo com o seu primeiro Estatuto de 1899.
A criação do então Instituto Infante D. Afonso teve inicial e especialmente como missão educar e instruir órfãs filhas de militares mortos em combate ou por doença. Mas cedo recebeu também alunas de todo o país e das então colónias portuguesas, filhas quer de militares, quer de civis.
A marca distintiva do IO consiste no facto de ao longo de 114 anos ter sido sempre uma escola singular no panorama educativo nacional: o único internato feminino com uma sólida formação integral que alia a tradição e os valores à inovação de práticas pedagógicas sempre avançadas no tempo e pioneiras em Portugal. O IO foi das primeiras escolas com o curso liceal público feminino, a primeira a introduzir em Portugal, logo em 1904, a Ginástica Sueca, das primeiras a ter aulas de Higiene, de Puericultura e de Culinária e a dispor de ensino profissional no feminino. Aprendia-se Contabilidade, Escrituração Comercial e Natação, Educação pela Arte e Telegrafia, Francês e Basquetebol, Química e Rendas de bilros, Latim e Jardinagem, Drama e Bordados, para além da existência dos Cursos de Precetoras, de Economia Doméstica e do Magistério Primário.
Nos últimos anos da Monarquia e durante a I República, o Estado Novo e na Democracia, o IO foi sendo visitado por reis, infantes e rainhas, presidentes da república portuguesa e múltiplas personalidades da vida nacional e internacional: intelectuais, embaixadores, políticos, militares ou músicos de renome, de que são prova as mensagens elogiosas e as assinaturas que constam do Livro de Honra do IO.
Hoje, o IO assume-se como uma escola de excelência, cujas palavras de ordem são a qualidade, o rigor e a exigência, tendo a escola alcançado sempre lugares cimeiros nos rankings nacionais das escolas públicas portuguesas. Continua a receber alunas, filhas de militares e de civis, provenientes de todo o país e de meios socioeconómicos muito diversos. Frequentam também o IO, alunas oriundas dos PALOP.
Existe no mundo atual uma forte tendência para a valorização do ensino diferenciado por género no sistema educativo privado e, sobretudo, no ensino público, tendência que se mantém em países como a Inglaterra, a França ou a Espanha mas que aumenta, por exemplo, nos EUA e na Alemanha. Também a finalidade do IO, adaptada aos dias de hoje e seguindo o currículo do Ministério da Educação e Ciência, permanece semelhante à dos primeiros tempos: ministrar uma sólida formação humanística e científica por forma a desenvolver nas alunas as competências indispensáveis para o ingresso no ensino superior e para os cursos de formação dos quadros permanentes das Forças Armadas.
O IO é uma segunda casa para as alunas indo ao encontro do conceito escola-família. Os laços aqui criados são quase sempre laços para a vida de meninas, raparigas e mulheres. Tão importantes como o pioneirismo de mulheres anónimas ou conhecidas que estudaram no IO: cientistas, artistas plásticas, jornalistas, médicas, escritoras, desportistas, atrizes, professoras…

Eis apenas alguns exemplos do pioneirismo de antigas alunas do IO:
  • Ana Maria Lobo - a primeira presidente da AMONET (associação nacional de mulheres cientistas) e figura cimeira em associações internacionais de mulheres cientistas, na atualidade;
  • Irene da Fonseca - primeira portuguesa na presidência da Sociedade de Matemática Aplicada e Industrial nos EUA, na atualidade;
  • Isabel Maria Gago - primeira mulher formada em Engenharia Química em Portugal;
  • Julieta Espírito Santo -  primeira médica são-tomense;
  • Maria Antónia Luna Andermatt - primeira figura do bailado nacional e cofundadora da Companhia Nacional de Bailado, recentemente falecida;
  • Maria Isabel Joglar - primeira mulher portuguesa na modalidade olímpica de Tiro de Pistola;
  • Paula Costa - primeira mulher piloto militar da Força Aérea Portuguesa.

27 de janeiro de 2014

19 de janeiro de 2014

Mensagem do Papa Francisco ao Instituto de Odivelas

No fim da missa realizada no dia 19 de Janeiro de 2014, na igreja do Instituto de Odivelas, o padre António Borges da Silva, capelão do IO, leu a carta recebida do Papa Francisco com a benção apostólica às meninas de Odivelas e comunidade educativa. Vejam o vídeo.