Translate

23 de fevereiro de 2014

Carta aberta de uma Antiga Aluna ao Ministro

Sr. Ministro,
sou antiga aluna do Instituto de Odivelas, tendo saído há apenas dois anos. Hoje, quando li o despacho que assinou, vieram-me as lágrimas aos olhos. Como acha possível que tal tenha acontecido? A partir do momento em que escolhe encerrar este Estabelecimento Militar de Ensino está a apagar anos e anos de história e de tradições que, não serão possíveis de ser continuados por novas alunas e isso entristece-me. Entristece-me porque sei que não haverá continuidade nos valores e ensinamentos que nos deram, porque as paredes que eu chamava e ainda chamo de "casa" irão deixar de o ser, porque as alunas que lá estudam deixarão o seu percurso como "menina de Odivelas" a meio e porque as funcionárias e professoras que davam aos suas vidas e todo o seu amor para o bom funcionamento do Instituto durante vários anos terão que o abandonar. Para além de tudo isto, ao abrir possibilidade de externato no Colégio Militar e admissão de raparigas, está a descaracterizar (e muito!) este estabelecimento secular.
Já visitou estes colégios após a introdução das suas "mudanças"? Já perguntou às alunas que frequentam no Colégio Militar se são felizes como o eram no Instituto de Odivelas? Já perguntou aos alunos externos do Colégio Militar se se sentem integrados pelos colegas alunos internos? Já falou com os alunos do Colégio Militar? Será que o maior número de desistências alguma vez acontecido no Colégio Militar estará relacionado com as suas medidas? Parece-me que sim... Já ouviu as associações de pais? E as associações de Antigos Alunos? Já ouviu as opiniões das professoras, funcionários e atuais alunas do Instituto de Odivelas?

Então oiça. Peço-lhe que não feche os olhos a este assunto. Nunca é tarde para corrigir erros.

Pela continuidade de uma Instituição de Excelência,

Mariana Ruivo, antiga aluna nº107/04

22 de fevereiro de 2014

Uma escola fantasma

Artigo de opinião no jornal Expresso e 22 de Fevereiro de 2014.

Uma escola com 114 anos de história, que ocupa os lugares cimeiros nos rankings das escolas nacionais, com um Projeto Educativo único em Portugal, tem de encerrar em 2015? Uma escola visitada pelos últimos reis de Portugal, por presidentes da república, por ministros, por deputadas e deputados da Assembleia da República Portuguesa, por embaixadores e embaixatrizes, por adidos militares estrangeiros, enfim, por diversas personalidades da vida nacional e internacional tem de encerrar? Uma escola que transporta uma marca desde 1900: as “meninas de Odivelas” e com ADN, como agora se diz, tem de encerrar?
O Instituto de Odivelas (IO), de acordo com a decisão governativa, terá apenas dois níveis de ensino no próximo ano letivo de 2014/2015, com o impedimento de receber novas admissões: o 9.º ano e o 12.º ano de escolaridade. As alunas dos restantes níveis de ensino transitarão para o Colégio Militar (CM), sendo que as internas pernoitarão no Instituto de Odivelas. O Instituto de Odivelas está fechando “às pinguinhas” pois já este ano letivo perderam-se todas as candidaturas para o 5.º ano e para o 7.º ano e 10.º ano - nestes últimos casos apenas foram admitidas alunas internas. Paradoxalmente, o IO viu aumentar o número de alunas, precisamente para este ano letivo, mas já para o ano letivo seguinte passará a ter um número residual de alunas. Muitas delas sairão do IO mas para a escola pública ou para o ensino privado. Muitos pais e encarregados de educação que confiaram no Projeto Educativo do IO não irão transferir as suas filhas para o CM. Tenho uma filha no 5.º ano no ensino privado e outra filha que encara com dificuldade o ficar numa escola fantasma, no 9.º ano.
Para iniciarem as aulas, as alunas terão de acordar muito mais cedo para poderem estar no CM depois de duche, tarefas, pequeno-almoço tomado e percurso feito, prontas para a primeira aula da manhã, às 8H00. Ao final do dia, descerão a Calçada de Carriche… Enfim, transporte, condutores habilitados, gasóleo, poluição… Um colégio interno não funciona assim. Um novo edifício de internato que implica custos, e em tempo de vacas magras, a funcionar no mesmo campus de um internato masculino é, no mínimo “contra natura”. Só mesmo na ficção e em Hogwarts, onde existem fantasmas verdadeiros.
Os espetros dos custos e do género não são, contudo, aterradores. Há estudos que contradizem os números oficiais: o IO é sustentável e até mais “económico”, por comparação com outras escolas públicas com oferta educativa específica. Portugal não é o único e último país do mundo civilizado a ter ensino diferenciado por género e público. Veja-se o exemplo dos EUA, da Inglaterra, da Alemanha, onde todos os tipos de ensino coexistem pacifica e democraticamente, dando a liberdade de escolha às famílias e o justo direito de opção. Com a extinção das ordens religiosas em 1834 ocorreu uma discriminação de género pela positiva: as ordens monásticas femininas mantiveram-se nos mosteiros até à última freira. Hoje, numa discriminação de género evidente, são as alunas de Odivelas que têm de se diluir no CM. Desaparece um estabelecimento militar de ensino centenário e descaracteriza-se um estabelecimento militar de ensino bicentenário. Com franqueza, estamos perante um problema de preservação do património educativo de Portugal. Até o Papa Francisco deu a bênção apostólica ao Instituto de Odivelas!

Desfaz-se uma escola centenária para fazer História? Porquê? Certamente que os antigos alunos do CM não me irão cobrar direitos de autor.


Maria Rodrigues

Página da wikipedia do IO censurada

A História secular do Instituto de Odivelas nunca será apagada, nem por lápis azul nem por borracha branca.
Na sequência da recente censura de muita da informação contida na página da wikipedia do IO, e até que o seu conteúdo seja reposto, foi criada a página das "Meninas de Odivelas" contendo todos os factos que foram apagados.

A voz do IO não se calará e falará mais alto, cada vez mais alto!



Centenário IPE - Comentário do Presidente do CDS, Paulo Portas

8 de fevereiro de 2014

IO Memória - Tempos livres

Porque a História nunca se apaga e são as memórias que lhe dão fulgor...


Alunas no Recreio na Quinta do Instituto de Odivelas - 1930



IO Memória - Aulas de Educação Física

Porque a História nunca se apaga e são as memórias que lhe dão fulgor...


Maria Antónia Luna Andermatt - futura primeira figura do Bailado Nacional em saltos de bock no IO - Anos 40





Alunas e Professora Lavínia Pais no Campo de Jogos do IO - Anos 60 ou 70


5 de fevereiro de 2014

A Fábula do IO

Esta fábula conta uma história de animais, de pessoas
E de um lugar,
Belo, Mágico e Encantado,
Onde
Os Animais falam,
Num tom disfarçado,
As pessoas, emitem sons que não se conseguem decifrar,
(Pelo menos em “humanês”).
E se algum dia, alguém o fez,
Decerto foi para enganar quem julgava que sabia falar.

Esta fábula, como muitas outras fábulas, começou… Há muitos e muitos anos…

Há muitos e muitos anos…
Havia um Rei corajoso e uma Santa Rainha bondosa
Num Palácio,
Num vale maravilhoso, de flores cheiroso,
Lá longe e cheio de cores.

Há muitos e muitos anos…
Um urso, esfomeado e de dente arreganhado,
Ousou pensar, este rei atacar.
(Sim, porque aqui, os ursos podem pensar)
E acabou.
Como? Não sei!
Petrificado, transformado
Em base de pedra tumular,
Bem rente ao chão, sem nunca mais se poder levantar.

Há muitos e muitos anos…
Viviam nesse “Palácio”,
Umas Princesas de hábitos, em jardins fechados
E fechadas,
Enclausuradas,
Mas que viam as estrelas e o sol.
E ouviam, no frio ou no calor,
Do céu, o seu esplendor.

E Passados muitos anos…
Outras Princesas vieram,
Meninas
E aí cresceram e cantaram e dançaram.
E em cada ano, voaram.

E durante esses anos…
Mestras Fadas as ensinaram
A crescer,
A aprender,
A sonhar
E a voar.

Muitos anos se passaram…
Até que um dia…
Enormes e ferozes animais apareceram,
E os muros do “Palácio” atacaram e escarneceram:
Leões,
Hienas
E abutres.

Os primeiros… rugiam…rugiam… rondavam… rondavam,…
Queriam ser Reis daquele “Reino”.
As segundas… sorrateiras riam… riam… e escondiam o que realmente pretendiam.
Os terceiros, planavam… planavam… e silenciosos, observavam, voando astuciosos.

De vez em quando
Todos se calavam…
Parecia que os leões haviam desistido, não se ouvia nenhum rugido!
As hienas, os seus risos abafavam!
E os abutres, atentos, perspicazes, pousavam!

Até que um dia…
(Ou de uma fábula não se tratasse!)
Os animais começaram a falar e a gritar!
Até parecia que estavam todos combinados:
Feitiçaria?
Bruxaria?
Que seria?
Talvez a bruxa de outrora tivesse lançado um “mau-olhado”
Que só mais tarde, por ser tão fundo e forte e mau, se manifestaria!?
Os leões tinham deixado de rugir,
Falavam como homens,
Faziam reuniões,
Decretos
Despachos
Comissões.

As hienas tinham voltado a rir mas… “humanêsmente”.
Diziam aquilo que não pensavam.
E, francamente, com caras e feições desconfiadas,
Ameaçavam,
Mal-educadas.

Os abutres, esses lá em cima, nada percebiam,
Nem se interessavam,
M as falavam,
Vociferavam
E esperavam,
Ansiosos,
Pacientes,
Por alguma sobra,
Invejosos.

Então,
Trazido certamente
Por alguma fada persistente,
Um cavaleiro determinado,
De coragem fardado,
Veio lutar
Para salvar
As meninas que queriam aprender a voar.
Lutou… Lutou… Lutou…

Uns,
(Poucos),
Se lhe juntaram,
E lutaram com tudo o que encontraram:
Vontade, Esperança,
Trabalho, Honestidade
E muita Perseverança.

Outros,
(Muitos)
Desejando em primeiro lugar
Os seus interesses e a sua pele salvar,
Fingindo que não sabiam a verdade,
Se foram, à procura de fartança.

Como acabou?
Não sabemos.

Nas fábulas
Não há previsões orçamentais,
Não há providências…
Não há técnicos profissionais,
Não há audiências,
Nem mesmo suspensões ou comissões.

Nas fábulas
Os animais podem falar.
As meninas aprendem a voar.
E os cavaleiros podem lutar e vencer.

Nesta fábula
Tudo pode ainda acontecer…
Naquele lugar
Belo, Mágico e Encantado.
Entre o luar
E o amanhecer
De um qualquer dia desejado.