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22 de fevereiro de 2014

Página da wikipedia do IO censurada

A História secular do Instituto de Odivelas nunca será apagada, nem por lápis azul nem por borracha branca.
Na sequência da recente censura de muita da informação contida na página da wikipedia do IO, e até que o seu conteúdo seja reposto, foi criada a página das "Meninas de Odivelas" contendo todos os factos que foram apagados.

A voz do IO não se calará e falará mais alto, cada vez mais alto!



Centenário IPE - Comentário do Presidente do CDS, Paulo Portas

8 de fevereiro de 2014

IO Memória - Tempos livres

Porque a História nunca se apaga e são as memórias que lhe dão fulgor...


Alunas no Recreio na Quinta do Instituto de Odivelas - 1930



IO Memória - Aulas de Educação Física

Porque a História nunca se apaga e são as memórias que lhe dão fulgor...


Maria Antónia Luna Andermatt - futura primeira figura do Bailado Nacional em saltos de bock no IO - Anos 40





Alunas e Professora Lavínia Pais no Campo de Jogos do IO - Anos 60 ou 70


5 de fevereiro de 2014

A Fábula do IO

Esta fábula conta uma história de animais, de pessoas
E de um lugar,
Belo, Mágico e Encantado,
Onde
Os Animais falam,
Num tom disfarçado,
As pessoas, emitem sons que não se conseguem decifrar,
(Pelo menos em “humanês”).
E se algum dia, alguém o fez,
Decerto foi para enganar quem julgava que sabia falar.

Esta fábula, como muitas outras fábulas, começou… Há muitos e muitos anos…

Há muitos e muitos anos…
Havia um Rei corajoso e uma Santa Rainha bondosa
Num Palácio,
Num vale maravilhoso, de flores cheiroso,
Lá longe e cheio de cores.

Há muitos e muitos anos…
Um urso, esfomeado e de dente arreganhado,
Ousou pensar, este rei atacar.
(Sim, porque aqui, os ursos podem pensar)
E acabou.
Como? Não sei!
Petrificado, transformado
Em base de pedra tumular,
Bem rente ao chão, sem nunca mais se poder levantar.

Há muitos e muitos anos…
Viviam nesse “Palácio”,
Umas Princesas de hábitos, em jardins fechados
E fechadas,
Enclausuradas,
Mas que viam as estrelas e o sol.
E ouviam, no frio ou no calor,
Do céu, o seu esplendor.

E Passados muitos anos…
Outras Princesas vieram,
Meninas
E aí cresceram e cantaram e dançaram.
E em cada ano, voaram.

E durante esses anos…
Mestras Fadas as ensinaram
A crescer,
A aprender,
A sonhar
E a voar.

Muitos anos se passaram…
Até que um dia…
Enormes e ferozes animais apareceram,
E os muros do “Palácio” atacaram e escarneceram:
Leões,
Hienas
E abutres.

Os primeiros… rugiam…rugiam… rondavam… rondavam,…
Queriam ser Reis daquele “Reino”.
As segundas… sorrateiras riam… riam… e escondiam o que realmente pretendiam.
Os terceiros, planavam… planavam… e silenciosos, observavam, voando astuciosos.

De vez em quando
Todos se calavam…
Parecia que os leões haviam desistido, não se ouvia nenhum rugido!
As hienas, os seus risos abafavam!
E os abutres, atentos, perspicazes, pousavam!

Até que um dia…
(Ou de uma fábula não se tratasse!)
Os animais começaram a falar e a gritar!
Até parecia que estavam todos combinados:
Feitiçaria?
Bruxaria?
Que seria?
Talvez a bruxa de outrora tivesse lançado um “mau-olhado”
Que só mais tarde, por ser tão fundo e forte e mau, se manifestaria!?
Os leões tinham deixado de rugir,
Falavam como homens,
Faziam reuniões,
Decretos
Despachos
Comissões.

As hienas tinham voltado a rir mas… “humanêsmente”.
Diziam aquilo que não pensavam.
E, francamente, com caras e feições desconfiadas,
Ameaçavam,
Mal-educadas.

Os abutres, esses lá em cima, nada percebiam,
Nem se interessavam,
M as falavam,
Vociferavam
E esperavam,
Ansiosos,
Pacientes,
Por alguma sobra,
Invejosos.

Então,
Trazido certamente
Por alguma fada persistente,
Um cavaleiro determinado,
De coragem fardado,
Veio lutar
Para salvar
As meninas que queriam aprender a voar.
Lutou… Lutou… Lutou…

Uns,
(Poucos),
Se lhe juntaram,
E lutaram com tudo o que encontraram:
Vontade, Esperança,
Trabalho, Honestidade
E muita Perseverança.

Outros,
(Muitos)
Desejando em primeiro lugar
Os seus interesses e a sua pele salvar,
Fingindo que não sabiam a verdade,
Se foram, à procura de fartança.

Como acabou?
Não sabemos.

Nas fábulas
Não há previsões orçamentais,
Não há providências…
Não há técnicos profissionais,
Não há audiências,
Nem mesmo suspensões ou comissões.

Nas fábulas
Os animais podem falar.
As meninas aprendem a voar.
E os cavaleiros podem lutar e vencer.

Nesta fábula
Tudo pode ainda acontecer…
Naquele lugar
Belo, Mágico e Encantado.
Entre o luar
E o amanhecer
De um qualquer dia desejado.


3 de fevereiro de 2014

O 1.º Dia Aberto 2014 no Instituto de Odivelas

No passado dia 16 de janeiro de 2014 decorreu, nos turnos da manhã e da tarde, o 1.º Dia Aberto no Instituto de Odivelas (IO), com o objetivo de dar a conhecer o estabelecimento militar de ensino com 114 anos de idade e proporcionar o contacto com a vivência diária das alunas em ambiente de sala de aula.

Preconceito, orgulho e cada vez mais alto

Preconceito

Como se explica que em Portugal desde 2013 não haja a liberdade nem o direito de escolher e frequentar o ensino diferenciado e público no Instituto de Odivelas (IO)? Será preciso emigrar para a Inglaterra, para a Alemanha, para os EUA, para os antípodas se em solo pátrio é negada a livre escolha e a igualdade de oportunidades? A "livre Inglaterra" tem uma cruzada para acabar com o ensino diferenciado por género público e privado com tradições? Não, tem mais que fazer!

Como se explicam as críticas de atraso ou retrocesso civilizacional quando estudos científicos e práticas pedagógicas em países justamente civilizados valorizam o ensino diferenciado por género e público?

Como se explica o encerramento e a extinção do IO se o sucesso educativo desta escola com 114 anos é uma evidência? O percurso escolar das alunas do IO resulta mais económico do que o de muitos alunos da rede pública de escolas, bem mais dispendioso, seguindo apenas uma perspetiva economicista e redutora.

Como se explica o bom desempenho académico e profissional de meninas e mulheres ao longo de 114 anos? No início do século XX, o IO tinha por finalidade habilitar as alunas "… a poderem angariar honestamente os precisos meios de subsistência…", sem precisar de pais, irmãos ou maridos. Muito à frente, como agora se diz.

Uma mãe que estudou no ensino diferenciado e não diferenciado, que não é castigadora nem castradora e que tem uma filha que lhe pede para ser aluna interna - leia-se dormir 3 noites no IO - é brâmane? Não é.

Uma mãe que está impedida de matricular a filha mais nova no 5.º ano no IO, porque a lei o impede, é livre, realmente livre? E esta filha mais nova que gostaria de frequentar, e muito, a escola da irmã, é livre? Não haverá aqui uma discriminação de género? Há.

Orgulho

Quanto poupou o Erário Público, enfim Portugal e todos nós, com a conservação pelo IO do edifício gótico na sua origem, um mosteiro que remonta a 1295, que é monumento nacional desde 1910?

Como se pode fazer História destruindo a História de uma escola e, sobretudo, de alunas e mulheres, de etnias, credos e condições socioeconómicas diversas e que há 114 anos se destacam nas mais variadas profissões, pioneiras, lutadoras e vencedoras, meninas de Odivelas, mulheres anónimas ou conhecidas que quiseram ir cada vez mais alto?

Maria Rodrigues